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Feira de arte reúne projetos que valorizam a riqueza da produção nacional

Ayrson Heráclito, História do Futuro - Baobá o capítulo da agromancia, 2015 | Cortesia Paulo Darzé

Por Redação – 27/07/2023

 

Com base no sucesso da SP–Arte, que em 2024 completa 20 anos, a SP–Arte Rotas Brasileiras realizará sua segunda edição de 30 de agosto a 03 de setembro na ARCA, em São Paulo. Com 70 projetos curados especialmente para a ocasião por galerias de todo o país, o evento celebra a diversidade e a riqueza da arte brasileira.

“Rotas Brasileiras é sobre reimaginar as fronteiras entre o erudito e o popular, o centro e a periferia, o comercial e o institucional. Ao trazer, possivelmente, mais perguntas do que respostas, a feira se propõe a expandir perspectivas, ampliar narrativas e romper estereótipos. É um evento onde queremos que as pessoas se identifiquem com as raízes nacionais e que, ao mesmo tempo, traz dinamismo e oxigenação ao mercado”, afirma a diretora Fernanda Feitosa.

A lista de participantes é composta por galerias já estabelecidas, como Almeida & Dale, Fortes D’Aloia & Gabriel, Gomide&Co, Millan e Vermelho, galerias mais jovens como Central, HOA, Jaqueline Martins, VERVE e Sé, assim como aquelas localizadas fora do eixo RJ-SP, como Cerrado (Goiânia), Lima (São Luís do Maranhão), Marco Zero (Recife), Mitre (Belo Horizonte) e Paulo Darzé (Salvador).

A Fortes D’Aloia & Gabriel levará uma seleção de trabalhos de Erika Verzutti recentemente exibida no Museo Experimental el Eco, galeria de arte contemporânea na Cidade do México, e apresentada no Brasil pela primeira vez. As criações se dividem em dois grupos: relevos de parede e esculturas verticais. Todas as obras foram feitas em cerâmica, material nunca usado por Verzutti, e executadas em colaboração com a Ceramica Suro, de Guadalajara.

A galeria Almeida & Dale apresentará uma seleção de obras de Heitor dos Prazeres. Natural do Rio de Janeiro, o artista é um nome incontornável na cultura brasileira do século 20. Dedicou-se à carreira de cantor, compositor e pintor e exerceu um importante papel na formação das primeiras escolas de samba do Brasil. Seu interesse pelo cotidiano e costumes do país são expressos em suas pinturas, nas quais retratou o frevo, o samba, o carnaval e a vida nos subúrbios da cidade.

Frans Krajcberg, Sem título, déc. 80. Madeira pintada com pigmentos culturais. Cortesia Caribé

O paulista José Antônio da Silva e o polonês naturalizado brasileiro Frans Krajcberg serão as apostas da Caribé. Trabalhador rural com pouca formação escolar, Antônio da Silva foi um artista autodidata que percorreu a pintura, escrita, escultura e o repente. Krajcberg foi escultor, pintor, gravador e fotógrafo. Em suas obras, explorou elementos da natureza e destacou-se ao associar arte e defesa do meio ambiente.

A Marco Zero homenageará o Movimento Armorial. Concebido nos anos 1970, o projeto teve o dramaturgo e escritor Ariano Suassuna como seu principal idealizador. A intenção era estimular a criação de uma arte erudita a partir de elementos da cultura popular nordestina. Com curadoria de Cristiano Raimondi, serão exibidos trabalhos de artistas como Suassuna, Gilvan Samico, Bozó Bacamarte, Romero de Andrade Lima e Miguel dos Santos.

Na Millan, a curadoria parte do histórico tema da paisagem para apresentar produções artísticas que lançam luz sobre a mudança climática e a preservação ambiental. Com obras de José Bento, Daiara Tukano e Henrique Oliveira, o conjunto promove o encontro entre artistas de diferentes regiões do Brasil. São artistas cujas técnicas e visões de mundo alargam os conceitos tradicionais da arte e dialogam com nomes como Tunga, Nelson Felix e Miguel Rio Branco, que marcaram a arte brasileira.

Ariano Suassuna, Infância, 1984 – Cortesia Marco Zero

A galeria Mitre, de Belo Horizonte, apresentará uma seleção de trabalhos de Luana Vitra, artista selecionada para a 35ª Bienal de São Paulo. Artista plástica formada pela Escola Guignard (UEMG), dançarina e performer, cresceu em Contagem, cidade industrial que “fez seu corpo experimentar o ferro e a fuligem”. A apresentação da galeria Paulo Darzé, de Salvador, estabelecerá um diálogo entre Ayrson Heráclito, também selecionado para a 35ª Bienal de São Paulo, e Nádia Taquary. Com participações em importantes exposições e bienais, como a de arte (2017) e a de arquitetura de Veneza (2023), Heráclito propõe novas leituras acerca do cotidiano baiano, enfatizando a história do corpo negro em diferentes contextos sociais. Já Taquary investiga as contribuições das tradições africanas na formação cultural do Brasil.

Além de galerias, a SP–Arte Rotas Brasileiras contará com projetos especiais. É o caso do Sertão Negro, espaço de residência e vivência artística fundado pelo artista goiano Dalton Paula (32ª Bienal de São Paulo e Trienal do New Museum, 2018); do projeto Novos para Nós, de Renan Quevedo, cuja curadoria será centrada em diferentes credos do país; do coletivo artístico Igreja do Reino da Arte, do Rio de Janeiro, fundado por artistas como Zé Tepedino, Edu de Barros e Maxwell Alexandre; do projeto Xiloceasa, coletivo de artistas da região do Ceagesp formado no Ateliescola Acaia e da galeria GDA, fundada e gerida por artistas, que mostrará neste ano o acervo fotográfico mineiro “Retratistas do Morro”, de João Mendes e Afonso Pimenta.

A feira oferece ainda audioguias temáticos produzidos por curadores convidados, que estarão disponíveis no Spotify, visitas guiadas e conversas com artistas. No dia 19 de agosto terá início o Circuito SP–Arte com a abertura de uma individual de Maxwell Alexandre na Casa SP–Arte. Esta programação abrange atividades pela cidade promovidas por expositores, como coquetéis, aberturas, conversas, visitas guiadas, ateliês abertos entre outros.

Os ingressos para a feira estarão à venda, a partir de agosto, no app SP–Arte. Gratuito, o aplicativo está disponível nas versões iOS e Android e dá acesso a todo conteúdo da feira, além da agenda cultural em São Paulo.

Coincidindo com o mesmo período da feira, a ONG Artesol ocupará o State (em frente à ARCA) com a exposição Arte dos Mestres, que reúne 20 mestres, grupos e famílias de vários estados, entre eles Alagoas, Ceará, Mato Grosso, Pernambuco e Pará. A mostra trará mais de 200 obras e proporcionará espaços exclusivos para que os artesãos possam apresentar com destaque seus trabalhos e interagir com o público, além de exibir documentários exclusivos que contextualizam o aspecto social, cultural e criativo em torno dos artistas. O evento celebra os 25 anos da organização especializada na implementação, gestão e realização de projetos de fomento sociocultural e desenvolvimento econômico em comunidades tradicionais produtoras de artesanato em todo país.

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