[vc_row][vc_column][vc_column_text]Transtornos mentais, religião, fanatismo, violência contra mulher, abuso de drogas, homossexualidade e tantas outras questões que necessitam da atenção social, política e cultural. Sejam pelo fato de quebrar tabus e preconceitos, seja pelo fato de humanizar o que é da natureza humana, seja pelo fato de abrir diálogos para que sejam feitas realizações e modificações sobre  questões que ainda são vistas e interpretadas como anormais, besteiras, frescuras e tantas outros adjetivos não condizentes com uma realidade que pede socorro.

Muitos destes fatores principalmente os de natureza psicológica, poderiam pelo menos serem minimizados se abríssemos espaço para o diálogo e utilizássemos ferramentas de acesso e inclusão coletiva que levem à reflexão de como e de que forma podemos contribuir e somar para que isto não seja permanente, e, assim como existem caminhos destrutivos para o alto refúgio e fuga, também existem caminhos construtivos. Uma sociedade doente, carente de diálogo, de compreensão e principalmente de humanização, não cresce e não vive.

O audiovisual através de fatos históricos e histórias verídicas ou não, sempre teve um papel fundamental nas diversas sociedades existente. Diversas produções entre elas as Webséries, como a #BRECHA, que através de ótimo elenco, direção, roteiro e personagens cheios de história sobre repressão, religião, fanatismo, violência contra mulher, transtornos mentais e abuso de drogas, traz para o público de forma clara, real, aberta e sem maquiagem, questões conflitantes e perigosas vivenciadas e também ignoradas por milhares de pessoas.

# BRECHA é uma série que tem em seu currículo várias premiações e indicações à prêmios no RIO WEBFEST  e outros festivais que contemplam o segmento de webséries. Entre eles o de melhor direção, graças ao talento dos cineastas e roteiristas Ana Maria Saad e Geison Luz, que em entrevista a Viva Cultura, nos contou como surgiu este projeto que merece os parabéns não só pela ousadia como também por seu relevante conteúdo e pela coragem em produzir um trabalho de excelente qualidade à base da guerrilha como denominam seus autores.

Selecionada para o Festival de Berlin, na Alemanha.

A websérie chama-se #BRECHA não só pela idéia de que é o nome do protagonista mais também pela idéia de que todos os personagens estão buscando uma brecha naquela vida “miserável” que eles vivem, em busca de subterfúgios como por exemplo as drogas como válvulas de escape exatamente como acontece na realidade de muitas pessoas.

Geison Luz, o diretor pernambucano que mora desde criança em São Paulo, teve sua primeira formação como ator fazendo Teatro Escola Macunaíma e depois Studio Fátima Toledo. O diretor conta que sempre teve paixão pelo audiovisual e após ter passado pelo Studio, nasceu o interesse pelas outras áreas do audiovisual como direção, roteiro e produção levando-o a fazer cursos livres relacionados. Porém, apesar da realização dos cursos, Geison Luz afirma que seu maior aprendizado no setor audiovisual veio mesmo da prática. Fui fazendo curtas metragens e assim aprendendo cinema. Minha primeira experiência com o audiovisual aconteceu em 2007, quando produzi e dirigi um Curta chamado Vida, que foi selecionado pelo Festival de Cinema de Brasília, ganhando os prêmios de melhor Curta, melhor direção e melhor atriz no Festival Sátiros de Curta Metragem em 2008. O Curta fazia uma abordagem bem honesta sobre a depressão e assim, fez com que este trabalho chamasse muita atenção da mídia. Isso fez com que recebêssemos várias mensagens de pessoas falando que o filme tinha ajudado elas se entenderem melhor e principalmente entender o porquê que as pessoas próximas chamavam esta doença invisível de frescura. Com este feedback e resultado positivo pegamos animo e gás e fomos produzindo mais coisas, explica Geison.

O diretor relata que vem de uma realidade muito pobre tanto financeira quanto culturalmente e por isso, hoje um de seus maiores desejos é que todos tenham acesso à arte e a cultura. Eu acredito fielmente que a internet é o canal mais democrático de acesso. Além disso, eu gosto muito do formato seriado porque permite que as pessoas se envolvam melhor quando a história é desenvolvida por mais tempo e profundidade. Por isso que a # BRECHA é uma websérie, explica Geison.

Diretor Geison Luz em Premiação no Rio WebFest 2017.

#BRECHA é um projeto da ONG Pensamentos Filmados criada pelos dois diretores da websérie que desde 2011 cria conteúdos fora da caixa para a internet, com a finalidade de abrir o diálogo sobre o comportamento humano e a saúde mental. Geison Luz diz que em particular acredita muito que o audiovisual tenha o poder de sensibilizar e apresentar possibilidades de vida: penso que muitas vezes elas precisam de ajuda e que assistindo um filme ou uma série elas podem despertar para o tema em questão. Por isso, além de todos os episódios, as pessoas que assistem a #BRECHA , encontram no site links e textos que esclarecem os temas abordados pela websérie e com isso tem-se a possibilidade em entender  melhor sobre as questões trabalhadas, afirma Geison.

Quando perguntado sobre a polêmica trazida por #BRECHA, por se tratar de uma websérie que aborda temáticas que ainda são vistas e tidas por muitos, com preconceito e hostilidade, além de ir contrário ao conceito conservador social e religioso, Geison responde que a questão da polêmica para ele é muito relativa e prefere se apegar à idéia de que as pessoas sofrem muito pelo que não é dito e nem dialogado: passei anos me reprimindo porque eu acreditava que existia um comportamento padrão a ser seguido. Isso, me fez sofrer muito e abrir mão de correr atrás dos meus sonhos durante minha adolescência porque ficava sempre me ocupando em me esconder, conta Geison.

O diretor fala que muitas pessoas enviam comentários para falar que se vêem naquela situação e que também vivem situações semelhantes ou iguais às dos personagens, chegando a fazer comparações de determinadas falas dos personagens com as suas próprias falas ou de familiares. Daí, vemos como reverbera nosso trabalho. Então, precisamos aproveitar a tecnologia que temos para falar de coisas importantes que devam ser ditas às nossas sensações e sentimentos porque isso empodera as pessoas e aí sim, a gente começa a transformar, afirma Geison.

Sobre a questão das drogas em si, os diretores querem desistgmatiza-lás já que as mesmas estão associadas  diretamente ao crime. Estar relacionada é uma coisa e associada é outra. A TV e outros canais de comunicação já associam as drogas a isso. Acho que também devemos associá-las à um problema de saúde. Por que será que as pessoas estão usando? O que será que estão buscando?

Diretora Ana Maria Saad (de pé).

Estas questões, não envolvem somente tráfico e criminalidade. Envolvem também problemas psíquicos, psicológicos e muitas outras coisas. Queremos mostrar esta questão sob um ângulo humano, relata Geison.

Temos a personagem Lilly que é uma menina linda, super pra cima com os amigos porém, sofre muito com esta questão do vício. A série deixa muito claro esse caminho: ela tem uma mãe totalmente frustrada que deposita toda sua raiva, mágoa e angustia em cima dela, e ela acaba se pondo em situações vulneráveis para tentar esquecer e extravasar tudo que vive dentro de casa com sua mãe e a faça sentir-se melhor. Infelizmente casos iguais ou semelhantes são muito comuns. São situações (reforço novamente) que se houvesse diálogo, acredito que não chegaria a esse ponto, afirma Geison.

Hoje em dia acontecem diversos Festivais voltados para o setor de webséries em todo o mundo. A série #BRECHA, no ano de 2017 concorreu a oito indicações ao Prêmio RIO WEB FEST: melhor série dramática, melhor produção, melhor direção drama, melhor roteiro drama, melhor fotografia, melhor elenco e melhor ator drama. Tendo sido premiada na categoria de melhor ator, Andrei Bohler (personagem Brecha). Seguindo a onda dos festivais destinados ao segmento, #BRECHA foi selecionada oficialmente para o 1° Festival Internacional de Webséries de São Paulo, o SP WEBFEST, participando de 10 categorias incluindo Melhor Série Mundial. Ainda nesta efervescência, a série também foi selecionada para representar o Brasil no WEBFEST BERLIN 2018, na categoria Série Iberoameicana, além de ganhar o prêmio de melhor atriz de elenco para Ana Tardivo (personagem Lili), no BUENOS AIRES WEBFEST 2018. Sem contar a participação da websérie em muitos outros festivais realizados pelo mundo.

Diante de todo este cenário que aquece as produções, as parcerias e as conexões que alavancam bastante a visibilidade devido aos festivais, o diretor acha muito positivo para o mercado, pois acredita no seu potencial e aposta que daqui uns anos as webséries terão muita força. Para ele, os festivais também servem para organizar este mercado. Nas premiações, temos a oportunidade de não só conhecer pessoas e profissionais, como também de conhecer seus trabalhos. Podemos ver a qualidade das outras produções! Daí a gente pensa que podemos ser tão bons quanto nossos colegas e acaba que você começa empurrando toda equipe para frente. Tem muita gente que começa a prestar atenção ou passa a conhecer determinada coisa porque foi indicada à alguma premiação ou ganhou algum prêmio.

Então, que bom que os festivais tenham esse viés de credibilizar um trabalho. Mas, para mim, os festivais servem principalmente como ferramenta de divulgação para as produções sem recursos financeiros.

Meu maior desejo é que realmente as pessoas assistam a #BRECHA: evengélicos, gays, héteros, quem é contra, quem é a favor, enfim, queria que as pessoas conversassem. Que a série contribua com o diálogo entre as diversas pessoas e todos se respeitem e se entendam.  Temos que fazer de tudo para a transformação!!!

E, para mim, o diálogo é o único caminho para isso, termina o cineasta Geison Luz.

Viva Cultura!: Geison, muito obrigada pela oportunidade em podermos divulgar essa websérie maravilhosa e por contribuir com o acesso à arte e a cultura.

Geison Luz: Obrigada a Viva Cultura! pela divulgação da #BRECHA e pelo espaço de comunicação e fomento do mercado cultural.

SINOPSE:

Maria é uma pastora que se afastou das igrejas desde um ataque de pânico que sofreu diante dos fiéis. Ela se tornou a estrela de um programa de TV repressor e preconceituoso, e seu maior medo é voltar aos cultos presenciais. Obrigada a enfrentar esse medo, ela faz de tudo para convencer seu filho Brecha, a acompanhá-la nesse seu retorno “triunfal” na maior igreja do país.

Brecha é um adolescente perturbado e cheio de segredos que se distrai nas loucuras com seus amigos. Entre eles, Lilly, uma garota que descobriu nas drogas uma forma de alívio para lidar com as brigas diárias com a sua mãe, Lídia e com a violência que sofreu do seu amigo Tony. Junto deles tem o divertido Ricco, que vive em busca do corpo perfeito e de um príncipe encantado nos aplicativos de encontro.

Landa, que conta com o apoio da amiga Yuki no tratamento contra a bulimia; e Keila, uma aspirante a it-girl que esconde vários segredos do namorado Vinny.

Todos eles cheios de histórias sobre o que nos tornamos quando não temos a coragem em ser nós mesmos.

Parte da equipe durante as filmagens

ELENCO FIXO:

Andrei Bohler, como Brecha;

Alejandra Saiz Sampaio, como Pastora Maria;

Ana Tardivo, como Lilly;

Tuna Dwek, como Lídia (mãe da Lilly);

Fernando Bercht, como Tony;

Ramon D´Bello, como Ricco;

Carolina Tartilas, como Landa;

Letícia Yumi, como Yuki;

Naise Aquino, como Queila;

Edgar Jácomo, como Vinny;

Zeca Auricchio, como Bispo.

FICHA TÉCNICA:

Autores: Geison Luz e Ana Maria Saad;

Roteiro e Direção: Geison Luz e Ana Maria Saad;

Assistente de Direção: Felipe Mascarenhas (Bahia);

Assistente de Roteiro: Luise Cohen

Produção Executiva: Geison Luz;

Direção de Fotografia e Finalização: Daniel Hestermann;

Assistente de Fotografia: Feleipe Mascarenhas (Bahia), Daniel Bernardes, Rubens Souza e Paulo Eduardo Modolo;

Edição: Geison Luz;

Direção de Arte e Figurino: Maria Petrucci;

Assistente de Arte: Ana Luiza Secco Perez, Camile Wedekin e Pedro Karg;

Som Direto e Mixagem de Som: Jefferson Saturnino;

Assistente de Som Direto: Felipe Mascarenhas (Bahia), Rubens Souza e Paulo Eduardo;

Trilha Sonora Original: Yuri Bastos e Felipe Vash;

Produção de Set: Geison Luz, Felipe Mascarenhas (Bahia,), Daniel Bernardes, Juliana Soares, Keila Souza e Flávia Teotônio;

Maquiagem e Cabelo: Elenco, Maria Petrucci, Camile Wedekin, Gabriela Jovine, Kleber De Paula e Lu Conrado;

Making Of e Still: Pedro Karg;

Arte e Motion Graphics: Adriano Alvez e André Luiz Fronza.

*Todas as informações sobre # BRECHA Série em:

www.brechaserie.com.br

www.facebook.com/brechaserie

@brechaserie

NOTA: Fotos cedidas pela Produção #BRECHA.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text]

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